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Dra. Aline Luiza Estevam – Gastroenterologista pediátrica em Novo Hamburgo – RS

O que você precisa saber para não confundir “golfada” com doença, e quando procurar um especialista

Você acabou de dar de mamar, coloca o bebê no ombro para arrotar e, de repente, um jato de leite escorre pela sua blusa. Seu coração acelera: “Isso é normal? Ele está com dor? Será que é algo sério?” Se você já sentiu esse frio na barriga, saiba que não está sozinha. Quase todos os pais passam por isso — e a dúvida entre o que é fisiológico e o que merece atenção médica pode gerar uma angústia desnecessária. Este artigo foi escrito para transformar essa preocupação em clareza, informação e, quando for o caso, um caminho seguro para o tratamento.

refluxo

O refluxo é comum nos primeiros meses de vida e faz parte do amadurecimento do sistema digestivo. Mas quando o refluxo vem acompanhado de dor, recusa alimentar, engasgos, sono agitado ou baixo ganho de peso, ele pode deixar de ser apenas uma fase e passar a merecer investigação.

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) acontece quando o conteúdo do estômago volta para o esôfago e provoca sintomas importantes ou complicações. Nem sempre isso aparece apenas como golfadas. Em alguns casos, o bebê quase não regurgita, mas demonstra desconforto na hora de mamar, chora muito ou parece sofrer após as mamadas.

Neste artigo, vou explicar de forma clara a diferença entre golfada, refluxo e doença do refluxo, além de mostrar os principais sintomas, sinais de alerta, formas de diagnóstico e opções de tratamento.

Quem é o médico que trata o refluxo nos bebês e crianças?

A Dra. Aline Luiza Estevam, é gastroenterologista pediátrica e tem expertise em tratar a doença do refluxo gastroesofágico(DRGE).

A DRGE em crianças é uma condição que exige atenção e compreensão. Uma avaliação detalhada com conhecimento científico atualizado e experiência com os pacientes faz diferença para um diagnóstico e tratamento adequado.

Esta doença gera angústia para os pais e cuidadores, que veem seus filhos sofrendo, seja por dor, recusa alimentar ou outros sintomas misteriosos. Ter empatia e carinho com o bebê e a família faz diferença no bem-estar de todos. 

Dra Aline não trata apenas o refluxo —trata a criança como um todo e a família que a acolhe.

  • Atendimento humanizado e sem pressa — cada consulta dura o tempo necessário para ouvir todas as suas dúvidas
  • Teleconsulta disponível — para quem mora longe ou prefere o conforto de casa
  • Abordagem baseada em evidências — conhecimento científico atualizado, uso de ferramentas diagnósticas quando necessário (pHmetria, impedâncio-pHmetria, endoscopia pediátrica)
  • Acompanhamento longitudinal — Acompanhamento da evolução, ajuste de condutas, apoio as famílias.

Depoimentos Reais

 

O que é o refluxo?

Refluxo é o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago. Esse conteúdo pode ser leite, alimento ou suco gástrico.

Nos bebês, isso é relativamente comum porque o sistema digestivo ainda está amadurecendo. Além disso, eles se alimentam com líquidos, passam muito tempo deitados e ainda têm uma válvula entre o esôfago e o estômago mais imatura.

Por isso, nem todo refluxo significa doença.

Pense assim: O refluxo é o processo de “voltar”. A regurgitação é o resultado que a gente vê desse processo.

Nem todo refluxo é uma regurgitação! Por quê? Porque o conteúdo pode subir para o esôfago e depois descer de novo. Sem chegar até a boca.

Muitos bebês têm refluxo sem que a gente perceba. Eles podem não golfar nada. Ou golfar muito pouco.

O refluxo pode ser normal (fisiológico) ou ser uma doença (DRGE).

Juntando as Peças: Refluxo, Regurgitação e a DRGE

Agora que entendemos a diferença, fica mais fácil!

Se o conteúdo do estômago volta para o esôfago, isso é refluxo.

Se esse refluxo é forte o suficiente para que o conteúdo saia pela boca, isso é regurgitação (a golfada).

O que é Regurgitação/Golfada?

A regurgitação é o que a gente vê acontecer. É quando o leite ou a comidinha do bebê volta para a boca e sai. É a cena que todo pai ou mãe de bebê conhece: aquela “golfada” que suja a roupa, o pano de boca, ou até o chão!

Pense assim: A regurgitação é o sinal visível de que algo que estava no estômago voltou.

O retorno do líquido pela boca ocorre porque o sistema digestivo do bebê ainda é imaturo. A “válvula” entre o esôfago e o estômago ainda não é forte o suficiente.

É muito, muito comum em bebês. Principalmente nos primeiros meses de vida.

Um pouco de ciência: De acordo com estudos epidemiológicos, cerca de 50% dos bebês menores de 2 meses e até 70% dos bebês entre 3 e 4 meses regurgitam. A boa notícia é que com 1 ano essa taxa cai para 5%!

A regurgitação não causa dor. O bebê golfou e continua feliz! Por isso chamamos de “bebê regurgitador feliz”. Muitas vezes só notamos o episódio quando vemos o líquido na roupinha, pois o bebê não faz esforço como quando vomita.

bebe com refluxo / regurgitador feliz

Quando o refluxo vira doença (DRGE)?

A DRGE deve ser considerada quando o refluxo deixa de ser apenas uma característica da idade e passa a trazer sofrimento ou prejuízo real para a criança.

Isso pode acontecer quando o refluxo:

  • provoca dor
  • causa irritabilidade
  • interfere nas mamadas ou alimentação
  • dificulta o ganho de peso
  • está associado a inflamação do esôfago
  • vem acompanhado de engasgos ou sintomas respiratórios

Nem sempre a criança com DRGE vai golfar muito. Em alguns casos, o principal sinal é o desconforto.

Nesses casos, o refluxo não é normal. Ele se tornou uma doença que precisa de atenção e tratamento.

O que é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) em crianças?

A DRGE é uma condição em que o conteúdo do estômago (incluindo ácido gástrico e alimentos) retorna repetidamente para o esôfago, causando sintomas incômodos, inflamação ou outras complicações. Diferente do refluxo fisiológico, que é benigno e não causa problemas, a DRGE impacta a qualidade de vida da criança e pode necessitar de intervenção.

Resumindo: diferença entre golfada, refluxo e doença do refluxo

Essa é uma dúvida muito comum entre pais e responsáveis.

  • Golfada, ou regurgitação, é aquilo que os pais veem: o leite voltando pela boca.
  • Refluxo é o movimento interno do conteúdo do estômago voltando para o esôfago.
  • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é quando esse refluxo começa a causar sintomas importantes, desconforto ou complicações.

De forma simples, podemos pensar assim: o refluxo é o processo, a golfada é o que aparece, e a DRGE é quando esse processo passa a prejudicar a criança.

Fatores anatômicos e fisiológicos que causam refluxo nos bebês

  • Esôfago mais curto e posição do bebê: o comprimento menor permite refluir mais além disso os bebês ficarem mais tempo deitados deixando o esôfago na horizontal (—–>)
  • Imaturidade do Esfíncter Esofágico Inferior (EEI): Em bebês, o EEI ainda não está completamente desenvolvido e fortalecido, o que o torna mais propenso a relaxamentos transitórios e frequentes. Esta é a causa mais comum do refluxo fisiológico
  • Ângulo de His: O ângulo entre o esôfago e o estômago (ângulo de His) é mais agudo (fechado) em adultos e mais obtuso (aberto) em bebês, o que pode facilitar o refluxo.
  • Capacidade Gástrica Reduzida: O estômago dos bebês é pequeno, e a alimentação frequente pode enchê-lo rapidamente, aumentando a pressão e o risco de refluxo.
  • Tipo de alimento ingerido e posição: os bebês consomem apenas líquido – leite materno ou fórmula, predispondo mais refluxo 
  • Hérnia de hiato: Embora rara em crianças, a hérnia de hiato ocorre quando uma parte do estômago se projeta para o tórax através do diafragma, podendo comprometer a função do EEI. 
estomago dos bebês, entenda o refluxo


Veja a diferença do ângulo entre o esôfago e o estômago em bebês e adultos.

Sinais e sintomas da Doença do Refluxo em  bebês e crianças

Os sintomas da DRGE podem variar significativamente dependendo da idade da criança e da gravidade da condição. É importante estar atento a esses sinais.

Em bebês

Os sintomas nos bebês podem ser difíceis de identificar, pois eles não conseguem expressar verbalmente o que sentem e os sintomas podem não ser claros. Observe:

  • Regurgitações frequentes e/ou volumosas: Mais do que as golfadas ocasionais, estas são repetitivas e significativas, às vezes a ponto de a criança parecer “jogar tudo pra fora”.
  • Choro excessivo e irritabilidade: Principalmente durante ou após as mamadas, sugerindo dor ou desconforto.
  • Dificuldade para mamar/recusa alimentar: O bebê pode associar a alimentação à dor, recusando o peito ou a mamadeira, geralmente após os 3 meses de idade
  • Ganho de peso insatisfatório (falha de crescimento): A dor e a perda de calorias devido ao refluxo podem impedir que o bebê ganhe peso adequadamente.
  • Arqueamento das costas (Síndrome de Sandifer): Uma postura característica em que o bebê arqueia as costas e gira a cabeça para um lado, como um mecanismo para aliviar o desconforto esofágico.
  • Distúrbios do sono: Dificuldade para dormir ou acordar frequentemente com dor.
  • Sintomas respiratórios: Tosse crônica, chiado no peito, engasgos frequentes, pneumonias de repetição ou crises de apneia (paradas respiratórias) podem ser causados pela aspiração de conteúdo gástrico para as vias aéreas.
mãe preocupada com bebê com doença do refluxo gastroesofágico

Em crianças maiores e adolescentes

Nessas faixas etárias, os sintomas podem ser mais semelhantes aos adultos:

  • Azia/queimação no peito (pirose): A sensação de queimação atrás do esterno, muitas vezes subindo para a garganta.
  • Dor abdominal: Dor na parte superior do abdome ou dor em toda a barriga.
  • Regurgitação de alimentos ácidos: Sentir o sabor azedo ou amargo do conteúdo gástrico na boca.
  • Dificuldade ou dor para engolir (disfagia/odinofagia): Sensação de que o alimento “não desce”.
  • Redução do apetite e recusa da alimentação: a esofagite por refluxo gera dor para comer e pode ser acompanhada de enjôo (as crianças às vezes não sabem explicar)
  • Sintomas extradigestivos: Voz rouca (laringite por refluxo), tosse crônica (especialmente noturna), pigarro constante, erosão (desgaste) do esmalte dentário, asma de difícil controle e dor de garganta recorrente.
  • Sensação de “bola na garganta” (globus faríngeo): Sensação de ter algo preso na garganta.

Causas e fatores de risco para a doença do refluxo em bebês e crianças

A DRGE em crianças geralmente não tem uma única causa, mas sim uma combinação de fatores que contribuem para o seu desenvolvimento.

Fatores dietéticos e de estilo de vida

  • Volume excessivo de alimento: Mamadas ou refeições muito grandes podem sobrecarregar o estômago, aumentando a probabilidade de refluxo.
  • Alimentos específicos: Em algumas crianças, certos alimentos podem desencadear ou piorar os sintomas de refluxo. Exemplos incluem alimentos ácidos (cítricos, tomate), chocolate, cafeína, comidas gordurosas e picantes. Em bebês, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma causa importante de DRGE, que requer uma abordagem dietética específica.
  • Posicionamento: Deitar a criança imediatamente após a alimentação, ou colocá-la em posições que aumentam a pressão abdominal, pode favorecer o refluxo.
  • Exposição à Fumaça de Cigarro: O fumo passivo é um fator de risco conhecido para a DRGE e outras doenças respiratórias em crianças, pois a nicotina pode relaxar o EEI e irritar a mucosa esofágica.

Condições médicas associadas a doença do refluxo

Algumas condições de saúde podem aumentar o risco ou agravar a DRGE:

  • Prematuridade: Bebês prematuros têm sistemas digestórios ainda mais imaturos, tornando-os mais suscetíveis.
  • Doenças neurológicas: Condições que afetam o controle muscular, como paralisia cerebral, podem prejudicar a coordenação da deglutição e a função do EEI.
  • Doenças pulmonares crônicas: A fibrose cística e a asma, por exemplo, podem estar associadas a uma maior incidência de DRGE.
  • Obesidade: Em crianças maiores, o excesso de peso aumenta a pressão abdominal, favorecendo o refluxo.
  • Laringomalácia: esforço abdominal e mudança de pressão devido ao esforço respiratório
  • Outras Anomalias: Algumas anomalias congênitas do trato gastrointestinal.

Genética

Há sim maior risco de Doença do Refluxo (DRGE) para pessoas que tenham familiares com a doença; A concordância entre gêmeos é de cerca de 40%. Avaliação recente do genoma (GWAS) identificou vários loci associações a DRGE. O polimorfismo de genes como BARX1, ADAMS17. GNB3 e ABAT mostraram associação significativa com DRGE.

Diagnóstico da doença do refluxo DRGE pediátrica: Como confirmar?

O diagnóstico da DRGE é primeiramente clínico, baseado nos sintomas e na história detalhada da criança. 

 Exames complementares são realizados em casos pontuais, na presença de sintomas atípicos ou quando há necessidade de avaliar a gravidade ou excluir outras condições. Lembre-se: Não há um padrão ouro para o diagnóstico de DRGE. 

É importante que você saiba que a doença do refluxo nos bebês pode apresentar sintomas inespecíficos e há uma zona de limitação duvidosa. A severidade e frequência dos sintomas, além de questionários específicos, podem auxiliar no diagnóstico. Por isso o seu olhar atento e o seguimento médico é de suma importância.

Durante a avaliação, costumam ser observados:

  • frequência e intensidade dos sintomas
  • relação com as mamadas ou refeições
  • padrão de sono
  • ganho de peso
  • presença de engasgos
  • sintomas respiratórios associados
  • histórico familiar
  • possibilidade de outros diagnósticos que podem se confundir com refluxo

Avaliação clínica detalhada

A consulta com um gastroenterologista pediátrico é o primeiro e mais importante passo. O médico irá:

  • Anamnese: Fazer perguntas detalhadas sobre os sintomas (frequência, intensidade, horário, fatores desencadeantes), padrão alimentar, histórico de saúde da criança e da família.
  • Exame físico: Avaliar o estado geral da criança, ganho de peso e possíveis sinais de complicações.
  • Diário alimentar: Em alguns casos, pode ser solicitado um diário alimentar para identificar possíveis gatilhos dietéticos.

Testes diagnósticos (quando necessário)

Quando a história clínica não é suficiente ou há suspeita de complicações, exames mais específicos podem ser indicados:

  • Teste terapêutico para alergia alimentar: Em casos de suspeita de alergia alimentar (como APLV), o médico pode sugerir uma dieta de exclusão por um período para observar a melhora dos sintomas.
  • pHmetria esofágica de 24 horas: Considerado o exame de escolha para quantificar o refluxo ácido. Um pequeno cateter com sensores de pH é inserido no esôfago da criança e fica conectado a um gravador por 24 horas, registrando os episódios de refluxo ácido.
  • Impedanciometria esofágica multicanal com pHmetria: Este exame mais avançado detecta tanto o refluxo ácido quanto o não ácido (como o refluxo de bile), sendo útil para casos refratários ou com sintomas atípicos.
  • Endoscopia digestiva alta com biópsias: Um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta é inserido pela boca para visualizar o esôfago, estômago e duodeno. Permite avaliar a presença de esofagite (inflamação do esôfago), estenoses (estreitamentos) ou outras alterações, além de coletar pequenas amostras (biópsias) para análise histopatológica e excluir outras doenças, como esofagite eosinofílica.
  • Estudo radiológico contrastado (Esofagograma): A criança ingere um líquido contrastado que é visualizado por raios-X. Ajuda a avaliar a anatomia do trato digestivo superior, identificar hérnias de hiato, estenoses ou outras malformações, mas tem limitações para detectar o refluxo em si.
  • Manometria esofágica: Mede a pressão e a coordenação dos músculos do esôfago e do EEI. É usada em casos muito selecionados, geralmente antes de uma cirurgia.

Tratamento doença do refluxo em bebês e crianças:

O tratamento da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) pediátrica é individualizado e pode envolver uma combinação de medidas comportamentais, dietéticas e, se necessário, medicamentos.

Fator relevante: Por muito tempo consideramos apenas o refluxo ácido (ph<4) como causador de DRGE. Porém novos estudos mostram que em bebês, após as mamadas, o refluxo comumente é fracamente ácido (pH 4–7) ou não ácido (pH > 7). E, mais surpreendente, este refluxo não ácido parece gerar mais desconforto em alguns bebês que o refluxo ácido.

Medidas comportamentais e dietéticas para refluxo (primeira linha de tratamento)

Estas são as primeiras e mais importantes intervenções, especialmente em bebês:

Em Bebês:

  • Fracionamento das mamadas: Oferecer menores volumes de leite, mais frequentemente.
  • Espessamento do leite: Sob orientação médica, o leite pode ser espessado com cereais de arroz/milho ou espessantes específicos para fórmulas infantis, o que pode reduzir as regurgitações. Fórmulas anti-refluxo (AR) já vêm espessadas.
  • Posicionamento pós-mamada: Manter o bebê na posição vertical por 15-20 minutos após a alimentação. Elevar a cabeceira do berço (com segurança, sem almofadas soltas) também pode ajudar.
  • Evitar superalimentação: Seguir os sinais de saciedade do bebê.
  • Roupas confortáveis: Evitar roupas que apertem a barriga do bebê.
  • Ambiente livre de fumaça: Proteger a criança da fumaça de cigarro.
  • Dieta de exclusão ou fórmula especial (se APLV): Se a APLV for a causa, a mãe que amamenta precisará excluir laticínios e outros alérgenos da sua dieta, ou o bebê alimentado com fórmula receberá uma fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos.

Em Crianças Maiores e Adolescentes:

  • Identificar e evitar alimentos gatilho: Alimentos ácidos, chocolate, cafeína, frituras, refrigerantes, comidas picantes.
  • Refeições menores e mais frequentes: Reduzir a carga no estômago.
  • Muito importante! Não comer próximo à hora de deitar: Deixar um intervalo de 2-3 horas entre a última refeição e o sono.
  • Elevação da cabeceira da cama: Elevar a cabeceira da cama 
  • Controle do peso: Manter um peso saudável para reduzir a pressão abdominal.

Tratamento Medicamentoso

Os medicamentos são usados quando as medidas comportamentais não são suficientes para controlar os sintomas ou quando há evidência de esofagite ou outras complicações. Devem ser usados sempre sob orientação e prescrição médica, avaliando cuidadosamente os riscos e benefícios.

  • Antiácidos: Oferecem alívio rápido para a azia, mas são de curta duração e não tratam a causa subjacente. Uso ocasional e limitado.
  • Bloqueadores H2 (B-H2): Como a ranitidina (não mais disponível), cimetidina ou famotidina. Reduzem a produção de ácido no estômago.
  • Inibidores da bomba de prótons (IBPs): São os medicamentos mais potentes para reduzir a produção de ácido, como omeprazol, lansoprazol e esomeprazol. São eficazes na cicatrização da esofagite. Seu uso em crianças deve ser criteriosamente avaliado quanto à dose e duração, devido a possíveis efeitos colaterais a longo prazo.
  • Procinéticos: Medicamentos como a domperidona podem acelerar o esvaziamento gástrico, reduzindo o tempo de exposição do esôfago ao conteúdo ácido. Seu uso é mais restrito devido a potenciais efeitos colaterais, sendo indicado em casos muito específicos e sob supervisão rigorosa.
  • Alginato: potencial tratamento para refluxo fracamente ácido e não ácido, independente de mamar seio materno ou fórmula láctea.

Tratamento cirúrgico (Fundoaplicatura de Nissen)

A cirurgia para DRGE (geralmente a fundoaplicatura de Nissen) é reservada para um número muito pequeno de crianças com DRGE grave e refratária ao tratamento clínico, ou com complicações que ameaçam a vida (como crises de apneia graves de repetição ou estenoses esofágicas intratáveis). O procedimento consiste em envolver a parte superior do estômago (fundo gástrico) ao redor da parte inferior do esôfago para criar uma nova válvula e fortalecer o EEI.

Complicações da DRGE não tratada

A DRGE não tratada ou mal controlada pode levar a diversas complicações, afetando o desenvolvimento e a saúde geral da criança:

  • Esofagite grave: Inflamação e lesão da mucosa esofágica, causando dor e dificuldade para engolir.
  • Estenose esofágica: O processo de cicatrização da esofagite pode levar ao estreitamento do esôfago, exigindo dilatações.
  • Esôfago de Barrett: Embora extremamente rara na infância, é uma complicação em que as células do esôfago se modificam devido à exposição crônica ao ácido, aumentando o risco de câncer de esôfago na vida adulta.
  • Anemia: Devido a pequenas perdas sanguíneas crônicas na mucosa esofágica inflamada.
  • Problemas respiratórios crônicos: Pneumonias de aspiração recorrentes, bronquiolite, asma de difícil controle e laringite.
  • Problemas de ganho de peso e desenvolvimento: A recusa alimentar e o desconforto constante podem prejudicar o crescimento e o desenvolvimento neuropsicomotor.
  • Distúrbios do sono e irritabilidade crônica: Impactando a qualidade de vida da criança e da família.

Dicas para lidar com a doença do refluxo gastroesofágico no dia a dia:

Lidar com a DRGE de uma criança pode ser exaustivo, mas algumas estratégias podem facilitar o processo:

  • Mantenha um diário de sintomas e alimentação: Registrar os horários das mamadas/refeições, os alimentos consumidos e a ocorrência e intensidade dos sintomas pode ajudar o médico a identificar padrões e gatilhos.
  • Comunicação aberta: Mantenha uma comunicação constante e honesta com seu pediatra e gastroenterologista pediátrico. Eles são seus maiores aliados.
  • Paciência e persistência: O tratamento da DRGE pode levar tempo e exigir ajustes. Seja paciente com você e com seu filho.
  • Busque apoio: Compartilhe suas experiências com outros pais, familiares e amigos. Uma rede de apoio pode fazer uma grande diferença.
  • Informação confiável: Busque sempre informações em fontes seguras e converse com seu médico sobre tudo o que ler.

Quando procurar ajuda médica especializada? 👩‍⚕️

Se você suspeita que seu filho pode ter DRGE, ou se ele apresenta algum dos sintomas mencionados, é fundamental procurar ajuda médica. Não hesite em procurar um gastroenterologista pediátrico se seu filho apresentar:

  • Sintomas de refluxo persistentes ou graves.
  • Recusa alimentar ou dificuldade para engolir.
  • Ganho de peso insatisfatório ou perda de peso.
  • Choro inconsolável ou irritabilidade extrema, que você associa à dor.
  • Vômitos com sangue ou fezes escuras (indicando sangramento).
  • Problemas respiratórios recorrentes ou inexplicáveis.
  • Qualquer sinal de desconforto que afete a qualidade de vida do seu filho.

Também poderei te auxiliar:

Se você tem dúvidas de como manejar o refluxo fisiológico e quer melhorar sua qualidade de vida.

Se seu bebê apresenta engasgos, e você deseja saber como agir.

Perguntas frequentes sobre refluxo em bebês e crianças

Bebê que golfa sempre tem doença do refluxo?

Não. Muitos bebês golfam e continuam saudáveis, ganhando peso e sem sinais de dor. A golfada, sozinha, não define doença.

Todo refluxo precisa de remédio?

Não. Em muitos casos, especialmente nos bebês, o tratamento inicial envolve orientação, acompanhamento e ajustes de rotina.

Refluxo pode causar tosse?

Pode. Algumas crianças apresentam sintomas respiratórios associados, como tosse crônica, rouquidão e pigarro.

Refluxo e APLV podem se parecer?

Sim. Em alguns casos, a alergia à proteína do leite de vaca pode causar sintomas parecidos com refluxo ou coexistir com ele.

Conclusão: 

A Doença do Refluxo Gastroesofágico em crianças é uma condição que, embora desafiadora, é totalmente gerenciável com o diagnóstico e tratamento corretos. A jornada pode exigir paciência e ajustes, mas ver seu filho livre de dor e prosperando é a maior recompensa.

Lembre-se que cada criança é única, e o plano de tratamento deve ser individualizado. Confie na sua intuição de pai/mãe e não hesite em buscar a expertise de um gastroenterologista pediátrico. Estamos aqui para guiar você, oferecendo o cuidado baseado na ciência e o acolhimento que sua família merece.

Sua preocupação é válida, e a busca por respostas é o primeiro passo para o alívio. Se você identificou algum desses sinais no seu filho, ou tem dúvidas sobre a DRGE, não espere. Agende uma consulta para que possamos te ajudar.

Referências:

  1. Vandenplas Y, Orsi M, Benninga M, Gatcheco F, Rosen R, Thomson M. Infant gastroesophageal reflux disease management consensus. Acta Paediatr. 2024;113(3):403-410. doi:10.1111/apa.17074
  2. Salvatore S, Pagliarin F, Huysentruyt K, et al. Distress in Infants and Young Children: Don’t Blame Acid Reflux. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2020;71(4):465-469. doi:10.1097/MPG.0000000000002841
  3. Harris J, Chorath K, Balar E, Xu K, Naik A, Moreira A, Rajasekaran K. Clinical Practice Guidelines on Pediatric Gastroesophageal Reflux Disease: A Systematic Quality Appraisal of International Guidelines. Pediatr Gastroenterol Hepatol Nutr. 2022 Mar;25(2):109-120. 
  4. Rosen R, Vandenplas Y, Singendonk M, et al. Pediatric Gastroesophageal Reflux Clinical Practice Guidelines: Joint Recommendations of the North American Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition and the European Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2018;66(3):516-554. doi:10.1097/MPG.0000000000001889

Leia também:

https://alineluizagastro.com.br/constipacao-na-crianca/

https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/doencas/refluxo-gastroesofagico

https://pequenoprincipe.org.br/guia-de-doencas/refluxo-gastroesofagico/

Respostas de 4

  1. Boa noite minha neta tem 3 meses recentes e faz uns dias que está golfando uma quantidade grande, na última consulta não ganhou muito peso e já duas vezes se afogou a ponto de minha filha ter que fazer a manobra de afogamento da lei Lucas, estou preocupada como avó tenho medo que isso acontessa a noite durante o sono.

    1. Olá Marizete. Pelos sintomas de sua neta, ela precisa de avaliação com gastropediatra para avaliar doença do refluxo ou distúrbio de deglutição, devido aos engasgos. Estou a disposição para lhe ajudar.

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